Tradicionalmente associado ao Nordeste brasileiro, o cultivo do caju também tem ganhado espaço no interior de São Paulo. Em Arthur Nogueira, produtor vem apostando na cultura como alternativa de renda, enfrentando desafios climáticos e apostando em manejo técnico para garantir produtividade e qualidade.
Com mais de 30 anos de experiência, o produtor Donizete destaca que o cultivo do cajueiro na região exige persistência. Diferente do Nordeste, onde as condições climáticas são mais favoráveis, o principal obstáculo no Sudeste é a incidência de doenças, especialmente a antracnose, um fungo que pode comprometer rapidamente a produção, causando queda e rachaduras nos frutos.
Apesar disso, a cultura apresenta bom potencial produtivo. Um cajueiro adulto, com cerca de 20 anos, pode produzir em média até 100 caixas por safra. O preço da fruta também varia ao longo do ano, podendo alcançar valores mais altos em períodos de menor oferta, o que torna a atividade economicamente interessante.
Outro diferencial do cultivo em São Paulo é a janela de produção. Enquanto no Nordeste a safra ocorre entre julho e dezembro, no Sudeste a colheita se concentra entre dezembro e abril. Essa diferença reduz a concorrência direta entre as regiões e abre oportunidades de mercado para os produtores paulistas.
O manejo do cajueiro envolve práticas essenciais, como a poda anual, realizada geralmente em julho, com o objetivo de manter a planta em formato de taça, facilitando a entrada de luz, a ventilação e a colheita. O controle da altura também é estratégico: apesar de a planta poder atingir até 20 metros, os produtores mantêm os pés com cerca de três metros para otimizar o manejo.
A adubação é feita principalmente na entressafra, com uso de matéria orgânica e nutrientes como fósforo, nitrogênio e potássio, além de aplicações foliares para estimular o desenvolvimento e a frutificação. Já a irrigação é mais necessária na fase inicial da planta, sendo menos exigida em plantas adultas.
Na propagação, a enxertia é o método mais recomendado, garantindo plantas mais produtivas e uniformes. Técnicas como borbulhia e garfagem permitem replicar as características de plantas selecionadas, aumentando a eficiência do pomar.
Mesmo sendo uma fruta sensível, com vida útil curta após a colheita, o caju apresenta boa aceitação no mercado. O manejo pós-colheita, incluindo secagem e armazenamento em câmara fria, é fundamental para manter a qualidade e ampliar o tempo de comercialização.
A experiência mostra que, com conhecimento técnico e adaptação às condições locais, o cultivo do caju pode ser uma alternativa promissora também fora das regiões tradicionais de produção.