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Como produzir pitaia em mourão vivo

  • 16/03/2026
  • Produtor testa o uso de moringa e gliricídia como mourões vivos para condução da pitaia, buscando reduzir custos e melhorar o manejo

Uma alternativa interessante para reduzir custos na implantação do pomar de pitaia é o uso de mourões vivos para conduzir as plantas. Em Mogi Mirim, no interior de São Paulo, o produtor José Guarnieri, conhecido como Guaraná, está realizando testes utilizando árvores vivas para substituir os tradicionais postes de concreto ou madeira.

 

A experiência consiste no plantio de linhas de pitaia conduzidas em árvores que funcionam como suporte natural para a planta. Entre as espécies utilizadas estão a moringa e a gliricídia, que além de sustentarem os ramos da pitaia também oferecem benefícios agronômicos ao sistema.

 

Segundo o produtor, a ideia principal é avaliar o comportamento da cultura nesse sistema, analisando custos, durabilidade e produtividade. A moringa, por exemplo, apresenta crescimento rápido, tronco ereto e fácil manejo, características que favorecem sua utilização como tutor vivo.

 

Outro benefício é o sombreamento moderado que a árvore proporciona, ajudando a reduzir queimaduras causadas pelo excesso de sol nos ramos da pitaia. Além disso, as folhas da moringa podem ser aproveitadas na alimentação animal, agregando mais utilidade à planta dentro da propriedade.

 

O sistema também contribui para reduzir investimentos na compra de postes, que costumam representar uma parte significativa do custo de implantação do pomar.

 

Manejo e espaçamento

 

No experimento, as pitaias foram plantadas com espaçamento de dois metros entre plantas e cinco metros entre linhas, permitindo a passagem de tratores para manejo e colheita. O sistema conta com irrigação regular, realizada dia sim, dia não, além de adubação com cama de frango combinada com fertilizantes químicos.

 

Outro detalhe importante é o uso de cobertura morta no solo, feita com restos de poda e material vegetal retirado das árvores. Essa prática ajuda a conservar a umidade, melhorar a estrutura do solo e reduzir a necessidade de irrigação.

 

Comparação entre espécies

 

Para avaliar qual árvore apresenta melhor desempenho como mourão vivo, o produtor implantou diferentes linhas com espécies distintas. A moringa tem se mostrado promissora por crescer mais rapidamente, gerar menos sombra excessiva e facilitar as podas de formação.

 

Já a gliricídia também pode ser utilizada como suporte, porém apresenta alguns desafios, como maior incidência de pulgões e madeira mais rígida, o que pode dificultar alguns manejos.

 

Indução de florescimento

 

Outro ponto interessante do experimento é a instalação de iluminação noturna em parte das plantas. A técnica busca induzir a floração antecipada da pitaia, permitindo que a colheita ocorra mais cedo.

 

Esse manejo pode trazer grande vantagem econômica. Em São Paulo, frutas colhidas no início da safra, por volta de novembro, podem alcançar preços até três ou quatro vezes maiores do que os obtidos em períodos de maior oferta no mercado.

 

Produção mais eficiente

 

A variedade utilizada no pomar é a Boreal Red, que já demonstrou boa adaptação ao sistema de mourão vivo. Apesar de o experimento ainda estar em fase inicial, algumas plantas já apresentaram produção satisfatória.

 

A expectativa agora é acompanhar o desenvolvimento das plantas ao longo dos próximos ciclos produtivos para avaliar se o sistema realmente se mostra mais eficiente e economicamente viável.

 

Experimentos como esse mostram como a inovação e a observação prática no campo podem abrir novas possibilidades para o cultivo da pitaia, tornando a atividade mais sustentável e acessível para produtores.

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