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Como enxertar a pitaya amarela

  • 29/04/2026
  • Produtor mostra na prática a técnica de enxertia da pitaya amarela, destacando ganhos em vigor, produtividade e adaptação ao mercado.

A enxertia tem se mostrado uma estratégia cada vez mais importante para produtores de pitaya que buscam melhorar a produtividade e se adaptar às mudanças do mercado. Em uma propriedade no Sudeste, o produtor Vinícius demonstra, na prática, como realizar a enxertia da pitaya amarela (megalanthus) e explica por que decidiu reformar todo o pomar.
 
A principal mudança foi a substituição das variedades de polpa branca e vermelha pelas amarelas. Segundo o produtor, a decisão está ligada à dificuldade de competir com regiões como o Nordeste, onde os custos de produção são menores e a oferta é maior em determinados períodos do ano.
 
A técnica de enxertia começa com a escolha de um material genético maduro, retirado de plantas já produtivas. O processo consiste em fazer um corte no porta-enxerto, geralmente uma pitaya de polpa vermelha, e inserir o enxerto da variedade desejada, alinhando corretamente as estruturas internas da planta para garantir a “solda”.
 
Após o encaixe, o ponto é fixado com fita para evitar movimentação. Em cerca de dois meses, o enxerto já apresenta brotação e está completamente integrado à planta. A partir desse momento, o produtor pode conduzir o desenvolvimento dos ramos normalmente.
 
Os testes realizados na propriedade mostram que a enxertia traz vantagens significativas em relação ao plantio direto (pé franco). A pitaya amarela, por natureza, apresenta menor desenvolvimento radicular e dificuldade de formação de copa. Quando enxertada em um porta-enxerto mais vigoroso, como a pitaya vermelha, o resultado é uma planta mais robusta, com maior capacidade produtiva.
 
Entre os diferentes métodos testados, a enxertia em posição mais alta no porta-enxerto apresentou os melhores resultados, com maior vigor e melhor desenvolvimento dos cladódios (ramos da planta).
 
Apesar de ser uma planta rústica, alguns cuidados são necessários durante o processo. O ideal é evitar períodos chuvosos no momento da enxertia, reduzindo o risco de apodrecimento. Em alguns casos, pode-se utilizar soluções como a calda bordalesa para proteção, embora nem sempre seja indispensável.
 
Além dos aspectos técnicos, o produtor também chama atenção para o cenário de mercado. Com o aumento da produção de pitaya no Brasil, especialmente nos meses de maior oferta, os preços tendem a cair e a comercialização pode se tornar mais desafiadora.
 
Nesse contexto, a diversificação de variedades, como a pitaya amarela, conhecida pelo alto teor de açúcar, e o investimento em produtos derivados surgem como alternativas para agregar valor à produção.
 
Outro ponto de alerta é o momento correto de colheita. Diferente de outras frutas, a pitaya não amadurece após ser colhida. Quando retirada antes do ponto ideal, pode até ganhar coloração, mas não desenvolve o sabor esperado, o que impacta diretamente a experiência do consumidor.
 
A técnica de enxertia, aliada ao manejo correto e à atenção ao mercado, se apresenta como uma ferramenta estratégica para produtores que desejam se manter competitivos e elevar a qualidade da fruta oferecida.

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